Investidores se dividem enquanto os juros começam a ceder, mas ainda travam o setor
Banco Central do Brasil – Apesar de o Copom ter iniciado em março o ciclo de cortes na Selic, o patamar ainda elevado inibe a recuperação das ações de médio e pequeno porte, abrindo uma fissura entre gestores sobre o momento certo de aumentar a exposição a small caps.
- Em resumo: Small caps recuaram 14,7% em cinco anos, enquanto o Ibovespa subiu 62,2% no mesmo intervalo.
Taxa básica continua o grande vilão – mas por quanto tempo?
Para Werner Roger, da Trígono Capital, “é hora de esperar”, posição reforçada por Daniel Utsch, da Nero Capital, que recomenda apenas participação tática para perfis arrojados. O argumento central é que, enquanto a Selic estiver acima de 10%, o capital estrangeiro permanecerá na renda fixa, deslocando fluxo da bolsa – cenário que tende a mudar se as projeções de cortes de 50 pontos-base por reunião se confirmarem, segundo estimativas compiladas pela Reuters.
Entre março de 2021 e março de 2024, com a Selic saltando de 2,75% para 14,75% ao ano, o Ibovespa avançou 62,2%, enquanto o Índice Small Caps despencou 14,7%.
Queda de juros, fiscal e cenário eleitoral: as três chaves para o rally
Historicamente, ciclos de relaxamento monetário empurram múltiplos das small caps, pois o custo do capital cai e o acesso a crédito melhora. Se o governo entregar superávit primário próximo de 0,5% do PIB em 2025 e a inflação convergir para o centro da meta, analistas projetam Selic entre 10% e 12% – nível apontado por Utsch como “ponto de atração” para o setor.
Setorialmente, construção civil segue no radar. Construtoras focadas em média renda – Eztec, Tecnisa, Even e Mitre – ainda não repassaram ganhos, diferentemente das voltadas a baixa e alta renda. No agronegócio, exportadoras alavancadas ao dólar podem funcionar como hedge, enquanto no varejo, nomes de nicho como Vulcabras e Vivara mostram resiliência.
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Crédito da imagem: Divulgação / B3