Perdas de 82% e cotista único ligaram alerta sobre concentração
FII Bedford – A liquidação do fundo, confirmada após o tombo de 82,6% na cota e a sangria de R$ 59 milhões em patrimônio, acendeu um farol vermelho para a indústria de recebíveis imobiliários ao expor a rota dos CRIs da incorporadora Infinita que migraram do CACR11 para o veículo agora extinto.
- Em resumo: a cota desabou de R$ 79,20 para R$ 66,86 em apenas três dias, segundo fato relevante de 17/02/2025.
Do CACR11 ao Bedford: o trajeto dos CRIs da Infinita
Documentos públicos da Valor Econômico e da CVM revelam que os CRIs dos projetos Town.Co, Life.Co e Parque, todos da Infinita, saíram da carteira do CACR11 em 2024 “a valor de face” e, logo em seguida, foram parar no Bedford, onde respondiam por mais de 120% do patrimônio líquido. A operação foi chancelada pela Cartesia e, posteriormente, administrada pela Intra Investimentos.
Em 17/02/2025, o patrimônio líquido sofreu queda instantânea de 15,39%, divulgou a Intra, sem detalhar o evento gatilho que eliminou o lastro contábil do principal CRI.
Por que a derrocada do Bedford assusta todo o mercado de FIIs?
O episódio ocorre num momento em que a Selic permanece em dois dígitos e o apetite por rendimentos acima de IPCA + 10% levou investidores a ignorar estruturas complexas. A concentração em um único cotista e a dependência de uma só operação mostram quão frágil pode ser um FII de CRIs quando não há pulverização de risco.
Historicamente, casos de default em CRIs contaminam a confiança nos demais fundos, elevam o prêmio de risco e podem forçar deságios generalizados, como se viu na crise de 2015–2016. Para evitar surpresas, analistas recomendam acompanhar provisões para devedores duvidosos, níveis de LTV e sincronia de fluxo de caixa dos empreendimentos com o cronograma de amortização.
O que você acha? A queda do Bedford é um evento pontual ou o sintoma de um risco estrutural nos FIIs de recebíveis? Para mais análises sobre Mercado Financeiro, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images