R$ 2 bi em fraudes acendem sinal vermelho no sistema financeiro
XP Investimentos – A corretora alertou, em evento da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin) realizado em 28/5, que o crime organizado está migrando para plataformas de câmbio com contas reserva bilionárias, APIs pouco vigiadas e operações em criptoativos. O movimento expõe uma nova frente de risco para bancos, fintechs e investidores.
- Em resumo: câmbio, integrações de sistemas e cripto concentram as próximas ondas de ataques, segundo especialistas.
Por que o câmbio virou território fértil para golpistas
Volumes expressivos em contas reserva e supervisão ainda incipiente formam a combinação perfeita para quadrilhas, explicou Lee Waisler, head de antifraude da XP. Ele lembrou que, diferente de cartões e Pix — já submetidos a monitoramento em tempo real —, o fluxo cambial carece de escrutínio técnico equivalente. Reportagem da Reuters sobre regras cambiais no Brasil mostra que o Banco Central corre para atualizar normas, mas o vácuo de fiscalização persiste.
“Quem hoje tem o mesmo nível de perícia em câmbio que possui em cartão de crédito?”, questionou Waisler durante o encontro.
APIs, cripto e insiders: o triângulo de risco que preocupa bancos
Boa parte das instituições sequer registra o tráfego de suas APIs, abrindo brechas que podem ficar ocultas por dias. A fragilidade ganha peso quando se soma o mercado de criptoativos, onde faltam profissionais especializados para rastrear transações suspeitas. Dados da Febraban indicam que golpes envolvendo insiders levam, em média, 260 dias para serem identificados e custam US$ 4,64 milhões por incidente.
Especialistas lembram que o problema não termina na invasão digital. Enquanto persistirem “contas laranja” disponíveis para receber recursos ilícitos e a Justiça tratar o uso dessas contas como infração de menor gravidade, o fluxo financeiro continuará. O histórico recente de juros elevados e margens apertadas para instituições tira espaço de manobra para absorver perdas, reforçando a urgência de investimentos em observabilidade em tempo real, alinhados às diretrizes do Banco Central e às iniciativas de open finance.
O que você acha? O setor conseguirá fechar essas brechas antes que o prejuízo aumente? Para mais análises sobre segurança no mercado financeiro, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Fin