Trégua relâmpago destrava Ormuz e provoca choque de preços na energia
Brent – A referência global do petróleo tombou 13,82%, negociada a US$ 94,17 por barril às 7h12 (UTC-3), após Estados Unidos e Irã aceitarem um cessar-fogo de duas semanas que inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, rota de 20% da oferta mundial.
- Em resumo: a pausa militar removeu, em minutos, o prêmio de risco que inflava as cotações desde o início do conflito.
Mercado reage: até onde vai o alívio nos combustíveis?
Analistas avaliam que cada US$ 10 de recuo no barril pode reduzir em até R$ 0,25 o preço da gasolina nas refinarias brasileiras, segundo dados compilados pela Bloomberg. A reação imediata se explica porque o Brent serve de baliza tanto para contratos futuros quanto para fórmulas de reajuste da Petrobras.
Brent -13,82% (US$ 94,17) | WTI -16,48% (US$ 94,34) às 7h12 de 8/4/2026.
Inflação, juros e Bolsa: o efeito dominó já começou
Com o choque de oferta dissipado, projeções de inflação para 2026 podem recuar. Nos últimos 12 meses, a energia respondeu por 28% da alta do IPCA. Se o petróleo permanecer abaixo de US$ 100, economistas projetam corte adicional de 0,25 p.p. na Selic na reunião do Comitê de Política Monetária de junho, sinalizando crédito mais barato para empresas e famílias.
Historicamente, cada 1 p.p. de queda nos juros básicos adiciona cerca de 8% ao valor presente dos fluxos de caixa projetados do Ibovespa. Não por acaso, setores intensivos em transporte – como aviação e logística – lideraram a alta do pregão de pré-abertura, enquanto exportadoras de óleo amorteceram perdas.
No front externo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) monitora a situação. Em 2020, o cartel reagiu a um choque semelhante com cortes coordenados. Se repetir a estratégia, pode limitar o recuo dos preços, mas por ora o mercado precifica abundância temporária de barris.
O que você acha? A trégua vai durar o bastante para segurar o IPCA abaixo da meta ou a volatilidade deve voltar? Para mais análises sobre petróleo e juros, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Valor Investe