Mudança trabalhista pressiona custos fixos das grandes redes brasileiras
BTG Pactual – Em relatório divulgado recentemente, o banco estimou que a possível redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, encerrando o tradicional regime 6×1, retiraria até R$ 2 bilhões do fluxo de caixa do varejo já no primeiro ano de vigência, apertando um setor que opera com margens historicamente estreitas.
- Em resumo: Cada ponto percentual de reajuste salarial provocado pela medida pode cortar 0,2 ponto da margem Ebitda das varejistas listadas.
Projeção bilionária reacende alerta sobre repasse de preços
Segundo o levantamento, empresas de hipermercados, moda e farmácias teriam de absorver o impacto ou repassá-lo ao consumidor, movimento que tende a pressionar a inflação de serviços. Em cenários semelhantes ocorridos na Europa, relatados pela agência Reuters, parte do setor recorreu a automação e renegociação de turnos para conter despesas.
“O efeito total pode chegar a R$ 2 bilhões em custo adicional anual, o equivalente a 5% do Ebitda consolidado do varejo de capital aberto”, destaca o BTG Pactual.
Cenário macro e histórico dão pistas do possível desfecho
A discussão ocorre enquanto a taxa Selic permanece em 10,50% ao ano, encarecendo crédito e já limitando o consumo das famílias. Em 2019, quando o salário mínimo cresceu acima da produtividade, redes como Magazine Luiza e Via viram o lucro líquido encolher mais de 20% no trimestre subsequente. Agora, com inflação de serviços acima de 4% em 12 meses, analistas temem efeito cascata nos preços e na geração de caixa, justamente quando o varejo tenta se desalavancar.
O que você acha? O setor conseguirá absorver o novo custo ou o repasse ao consumidor é inevitável? Para mais análises sobre mudanças regulatórias e seus impactos, acesse nossa editoria especializada.
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