Disputa acirrada pode abrir precedente para Oncoclínicas e BRF
Latache Capital – gestora que administra cerca de 5% das ações ordinárias da Usiminas – quer transformar a assembleia de 23 de abril no primeiro grande teste de seu ativismo: o grupo indicou dois nomes, inclusive o do próprio diretor jurídico, para o conselho da siderúrgica, tensionando a relação com os controladores Nippon Steel, Ternium e a estatal mineira Codemig.
- Em resumo: com o bloco de 5%, a gestora pretende influenciar o board e exportar a estratégia para Oncoclínicas e BRF-Marfrig.
O plano da gestora na siderúrgica
A assembleia extraordinária foi convocada após a saída de Sergio Leite da presidência executiva. Para a Latache, o momento abre espaço para questionar a governança e a alocação de capital da companhia – que, segundo dados da Reuters, investiu R$ 3,3 bilhões em manutenção só em 2023.
A Latache argumenta que “o excesso de caixa poderia ser parcialmente devolvido aos acionistas via dividendos extraordinários”, conforme documento enviado à CVM.
Efeito dominó sobre outras investidas
No radar da gestora estão ainda Oncoclínicas – onde já questiona o acordo de acionistas – e o bloco BRF-Marfrig, cujo casamento societário elevou a alavancagem da dona da Sadia e aumentou a desconfiança de minoritários. O histórico reforça a tese de que a Latache quer se posicionar como “acionista ativista profissional”, algo raro no mercado brasileiro.
O movimento ocorre em meio a um ambiente de juros reais acima de 6% e revisão para baixo no PIB industrial, fatores que pressionam margens. Para analistas, qualquer mudança no conselho da Usiminas tende a repercutir no preço do aço no mercado doméstico e na política de dividendos, temas sensíveis a setores como construção civil e automóveis.
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Crédito da imagem: Divulgação / Latache Capital