Falta de energia vira obstáculo bilionário para a retomada econômica
Governo da Venezuela – Na última semana de maio de 2026, o país voltou a registrar blecautes de até oito horas em cidades-chave como Maracaibo e Valência, cenário que compromete tanto o cotidiano de 90% da população quanto o ambicioso plano de atrair US$ 100 bilhões em investimentos para o setor de petróleo.
- Em resumo: a capacidade efetiva do sistema caiu para 13,5 GW, bem abaixo dos 36 GW instalados, gerando protestos e perdas produtivas.
Rede colapsada: quando 5% a mais de demanda vira caos
Dados oficiais apontam que o consumo nacional atingiu 15.579 MW, apenas 5% acima de 2025. Mesmo assim, o sistema não suporta o pico: termelétricas operam a 13% da capacidade e as hidrelétricas esbarram no gargalo de transmissão. Conforme estimativas da Reuters, 80% da eletricidade ainda vem de usinas construídas antes de 1999.
“A rede chegou ao seu limite. Não comporta nenhuma nova carga, nem em potência, nem em energia”, calcula o engenheiro Miguel Lara, ex-coordenador do sistema elétrico venezuelano.
Impacto direto no petróleo e na inflação regional
É aqui que o desabastecimento ganha contornos globais: sem energia contínua, cada queda de tensão pode desligar instantaneamente até 40 poços na Faixa do Orinoco, segundo a Chevron. A menor produção pressiona a oferta de óleo pesado no Caribe e dificulta a meta do Brent de se manter abaixo de US$ 80, justamente quando a Opep+ discute cortes adicionais.
A conta também chega ao bolso do venezuelano. Geradores residenciais, painéis solares e baterias dispararam de preço, corroendo salários já comprimidos pela inflação anual de três dígitos. Especialistas projetam que, se metade dos oito milhões de emigrados decidir regressar, a demanda saltaria 25%—impossível de atender sem um pacote emergencial estimado em US$ 45 bilhões e seis anos de obras estruturantes.
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Crédito da imagem: Divulgação / BBC News | Getty Images