Nova metodologia ameaça margens das transportadoras e pode chegar à conta do consumidor
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) – A proposta de revisão tarifária para o transporte de gás natural, divulgada recentemente pela autarquia, detonou uma batalha direta entre as principais operadoras de gasodutos e a Petrobras. O ponto central é a forma de calcular a receita permitida: se a nova regra avançar, bilhões em remuneração regulatória ficam em jogo e o repasse pode encarecer a molécula no mercado livre e cativo.
- Em resumo: transportadoras contestam a base de ativos sugerida pela ANP, enquanto a Petrobras pressiona por cortes de custos no escoamento.
Transportadoras questionam cálculo de depreciação e taxa de retorno
As gigantes do setor alegam que a proposta subestima o valor de reposição dos dutos e reduz a taxa de retorno regulatória, considerada vital para a expansão da malha. Em nota, executivos afirmam que a decisão fere contratos vigentes e pode congelar investimentos em novos ramais. Segundo a Reuters, ao menos duas operadoras já acionam escritórios de advocacia para contestar o texto durante a audiência pública.
“A metodologia ignora custos reais de manutenção e compromete a segurança do abastecimento”, alerta um representante de transportadora ouvido sob reserva.
Petrobras teme repasse de custos e disputa nos bastidores da política energética
Do outro lado, a estatal busca reduzir suas despesas de escoamento para manter competitividade diante da abertura do mercado iniciada em 2021. A preocupação é que, sem a revisão, parte da margem da companhia seja corroída em contratos de longo prazo firmados antes da quebra de monopólio. O tema ganhou tração no Ministério de Minas e Energia, que monitora o embate para evitar reflexos inflacionários no gás de cozinha e na geração termelétrica.
Analistas lembram que a discussão ocorre em meio à queda da oferta global de GNL, o que pressiona preços internacionais. Qualquer avanço na tarifa doméstica amplia o risco de indexar o insumo a patamares ainda mais altos, afetando desde a indústria de fertilizantes até distribuidoras de energia.
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Crédito da imagem: Divulgação / ANP