Do seminário ao ringue de Wall Street: bastidores da batalha pelos gráficos
Ralph Acampora – referência mundial em análise técnica – transformou um acidente de carro numa carreira que, décadas depois, obrigaria a SEC a reconhecer oficialmente o profissional de “charting”. A mudança abriu caminho para que traders e investidores de varejo levassem o preço tão a sério quanto os balanços.
- Em resumo: Acampora ganhou status de “pai” da profissão ao provar que preço é fato e forçar a criação do certificado CMT, hoje padrão global.
Do hospital à mesa de operações: a origem improvável
Imobilizado por três meses em 1967, Acampora devorou jornais de mercado deixados por um amigo ligado à Smith Barney. Ele entrou como analista júnior, munido apenas do livro “Edwards & Magee”, considerado até hoje a “Bíblia” da análise técnica – obra que, segundo a Reuters, ainda orienta milhares de traders.
“O preço é a existência de tudo. Fundamentos são estimativas; o preço, não.” – Ralph Acampora, ao depor diante da SEC em 2004.
Quando a SEC entrou em cena e o CMT virou lei
Na implementação da Lei Sarbanes-Oxley, reguladores queriam submeter analistas técnicos ao mesmo exame do CFA. A reação capitaneada por Acampora gerou um precedente histórico: a SEC passou a reconhecer dois perfis distintos de analista – o fundamentalista (CFA) e o técnico (CMT). Hoje, de acordo com a Bloomberg, fundos quantitativos que seguem tendências administram mais de US$ 300 bilhões, reflexo direto da legitimidade conquistada pelos gráficos.
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Crédito da imagem: Divulgação / Expert Trader XP