Nova regra de pureza somada ao preço do cacau cria tempestade perfeita para o setor
Congresso Nacional – Em meio à disparada global do cacau, senadores retomaram o debate do PL 1.769/2019, que obriga qualquer “barra” a conter ao menos 35% de sólidos de cacau. A mudança pode mexer com preços já na próxima Páscoa e pressiona fabricantes que dependem de fórmulas ultraprocessadas para manter margens.
- Em resumo: custo da matéria-prima bate recorde e rótulo mais rígido reduz espaço para açúcar e gordura barata.
Preço do cacau atinge máximas; margem da indústria encolhe
Na ICE Futures de Nova York, a tonelada do cacau saltou mais de 30% em 12 meses, refletindo quebras de safra na Costa do Marfim e em Gana, segundo dados da Valor Econômico. No Brasil, a amêndoa também encareceu, tornando mais caro produzir chocolates “verdadeiros” – justamente os que tendem a ser beneficiados pela futura lei.
“O consumidor já sente o repasse: barras premium subiram até 18% em grandes redes desde janeiro”, mostra levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates.
Rotulagem transparente pode mudar a cesta de compras do brasileiro
Ao exigir 35% de cacau no chocolate padrão e 25% no tipo ao leite, o projeto coloca holofote sobre a quantidade de açúcar escondida em itens populares. Especialistas lembram que flavonoides antioxidantes – base dos estudos sobre benefícios cardiovasculares – inexistem em bombons diluídos. Se aprovada, a regra pode acelerar a migração do consumidor para versões com 70% ou mais de cacau, hoje o segmento que mais cresce, embora ainda responda por menos de 10% do volume total.
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