Instabilidades persistentes desafiam Dataprev e atrasam acesso a benefícios
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – Uma análise técnica recém-divulgada aponta que falhas sistêmicas entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026 drenaram R$ 233,2 milhões dos cofres públicos e impediram a análise de 1,75 milhão de processos, elevando a fila para 3,1 milhões de requerimentos.
- Em resumo: quase 16% da produtividade do órgão evaporou por quedas no sistema.
Picos críticos reduziram produção em até 40%
Os meses de fevereiro de 2026 e julho de 2025 registraram impacto superior a 38% na capacidade de decisão dos servidores. A situação expõe, segundo especialistas ouvidos pelo Valor Econômico, o risco de novos atrasos nos pagamentos e abertura de espaço para ações judiciais que pressionam ainda mais o orçamento.
Durante 15 meses, os sistemas fora do ar comprometeram 15,72% da força de trabalho potencial do INSS, revela a nota técnica interna.
Pressão fiscal e precedentes jurídicos
O rombo de R$ 233 milhões soma-se à conta das decisões judiciais que obrigam a autarquia a pagar correções por atrasos. Em 2023, o Tesouro destinou mais de R$ 13 bilhões a precatórios previdenciários, segundo dados do Relatório Resumido da Execução Orçamentária. Caso o gargalo atual persista, economistas temem aumento dessa despesa já em 2026, ano em que o governo busca cumprir a meta de déficit zero.
O movimento também coincide com o início da discussão sobre a nova regra fiscal e ocorre num ambiente de juro real elevado, o que eleva o custo da dívida para financiar atrasos. Em paralelo, o histórico de modernização digital do governo mostra que, desde 2019, mais de 3 mil serviços foram migrados para plataformas online, mas a infraestrutura crítica da Previdência segue dependente de sistemas legados mantidos pela Dataprev.
Para conter danos, o INSS avalia acionar a Procuradoria Federal Especializada e impor multas contratuais. A Dataprev, por sua vez, alega manter disponibilidade superior a 98% e questiona a metodologia usada para calcular o prejuízo.
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Crédito da imagem: Divulgação / Globo