Gargalos logísticos globais já pesam no seu bolso brasileiro
Banco Central do Brasil (BCB) – A recente onda de navios retidos em rotas estratégicas fora do país tem elevado o custo do frete internacional, pressionando importadores, exportadores e, em última instância, o consumidor brasileiro.
- Em resumo: atrasos marítimos encarecem insumos e chegam aos preços de alimentos, combustíveis e eletrônicos.
Por que navios parados viram custo extra nas prateleiras
Quando portos asiáticos ou pontos-chave como o Mar Vermelho travam, a conta do transporte dispara. Segundo levantamento da Reuters, o índice de frete das rotas para a América do Sul saltou mais de 40% no trimestre. Essa despesa adicional é repassada à indústria e, depois, ao varejo.
“Cada 10% de alta no frete marítimo pode adicionar até 0,4 ponto percentual à inflação global”, estima o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Pressão cambial e reflexo na balança comercial
Para o agronegócio, que responde por quase 50% das exportações brasileiras, qualquer dia de atraso significa perda de competitividade. Já os importadores de eletrônicos, dependentes de componentes asiáticos, enfrentam estoques apertados e preços mais altos. O cenário se soma ao dólar acima de R$5, aumentando a fatura de quem precisa pagar o frete em moeda forte.
Economistas lembram que, após o bloqueio do Canal de Suez em 2021, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) subiu 3,3% no Brasil em apenas dois meses. Agora, com conflitos no Oriente Médio e gargalos na Ásia, o risco inflacionário volta ao radar do Comitê de Política Monetária (Copom), que já sinaliza cautela nos futuros cortes da Selic.
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Crédito da imagem: Divulgação / AP