Conflito no Oriente ressurge debate sobre custo real da transição energética
Petrobras – A passagem extraordinária de dois navios indianos pelo Estreito de Ormuz, mantido sob tensão militar, reforça que o mundo continua preso ao petróleo em plena segunda quinzena de março. Do preço da gasolina ao fluxo de divisas no Brasil, desligar esse motor de uma hora para outra traria um choque tão forte quanto o de 1973.
- Em resumo: Mesmo com metas climáticas, o barril segue peça-chave da segurança econômica global.
Economia global ainda respira no ritmo do barril
Segundo levantamento da Reuters, cerca de 80% do comércio marítimo de hidrocarbonetos no Golfo passa por Ormuz. Quando esse corredor fecha, bancos, petroleiras e governos veem risco imediato de recessão e inflação.
“A gente não pode fazer a transição quebrando de um dia para o outro as empresas de combustíveis fósseis, porque isso seria um desastre econômico planetário sem precedentes”, alertou Claudio Angelo, do Observatório do Clima.
Quem paga a conta de uma virada energética?
Arábia Saudita, Kuwait e Iraque ainda dependem de royalties para financiar mais de dois terços de seus orçamentos. No Brasil, a retirada súbita da Petrobras da balança comercial cortaria uma das três maiores fontes de entrada de dólares. Para analistas, only-way-out é um fundo internacional de transição que compense perdas fiscais — ideia que anda a passos lentos desde a COP28.
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Crédito da imagem: Divulgação / AFP