Formação cara e renda irregular corroem o bolso dos profissionais
Afya Research Center – Levantamento recente escancara que 30% dos médicos brasileiros não conseguem poupar, mesmo recebendo cerca de R$ 19 mil por mês, acendendo um sinal de alerta para quem supõe que alta renda garante estabilidade financeira.
- Em resumo: metade da categoria só sustentaria o padrão de vida por três meses sem salário.
Carreira começa com dívidas de até R$ 500 mil
Boa parte dos profissionais chega ao mercado já devendo: o Fies registra inadimplência de 59,3% em 2024, e um curso de medicina pode ultrapassar R$ 500 mil. Esse passivo inicial pressiona o fluxo de caixa e adia a formação de patrimônio, apontam especialistas citados pelo relatório internacional sobre crédito educacional.
“Facilmente 20% da renda se perde por desorganização”, calcula Leonardo Chaves, consultor da Arko.
Plantões garantem renda, mas aumentam a incerteza
Cerca de 60% dos médicos dependem de plantões para compor renda; para 30%, essa fonte representa 100% do faturamento. Um turno de 12 horas paga de R$ 1.200 a R$ 3 mil, abaixo do piso sugerido pela FENAM. Qualquer corte de jornada impacta imediatamente o orçamento familiar.
Efeito Selic e crédito fácil elevam risco patrimonial
Com a taxa Selic em 10,50% ao ano e endividamento das famílias em 49,3% da renda, segundo o Banco Central, o crédito imobiliário e para veículos continua caro. Ainda assim, bancos oferecem linhas especiais para médicos com prazos até 35 anos, o que incentiva antecipação de consumo sem reserva de emergência.
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Crédito da imagem: Divulgação / Afya Research Center