Sinal verde para cessar-fogo anima Bolsa, mas Ormuz segue no radar
Estados Unidos – A versão preliminar de um acordo com o Irã, revelada na quinta-feira (21), trouxe alívio imediato aos ativos brasileiros: o Ibovespa ganhou 0,17%, fechando a 177.650 pontos, enquanto contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuaram de 14,06% para 14,04% ao ano, refletindo menor prêmio de risco.
- Em resumo: possível trégua no Golfo Pérsico reduz pressão inflacionária global e afasta, por ora, novas altas de juros.
Juros futuros e dólar respondem primeiro ao alívio no petróleo
A leitura dos gestores é clara: se o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz normalizar, a inflação internacional perde fôlego e o Federal Reserve pode adiar aperto monetário. Segundo dados compilados pela Reuters, apostas de alta de juros norte-americanos migraram de dezembro de 2026 para janeiro de 2027 após a notícia.
“O mercado enxergou no cessar-fogo um gatilho para reduzir prêmio inflacionário e liberar espaço para cortes na Selic no médio prazo”, destaca relatório da Genial Investimentos.
O dólar à vista acompanhou o movimento, caindo 0,06% para R$ 5; na semana, acumula queda de 1,3%, mas ainda sobe 1% em maio. O volume na B3 foi de R$ 17,7 bilhões, abaixo da média anual de R$ 18,2 bilhões, sinal de investidor estrangeiro em compasso de espera.
Volatilidade persiste: Ibovespa precisa superar 179 mil pontos
A correção de quase 10% desde o pico de abril coloca o índice em terreno técnico delicado. Analistas lembram que ficar abaixo de 178.600 pontos mantém viés de baixa; superar 179.500 mudaria o jogo para neutro. Enquanto isso, 41 das 79 ações do Ibovespa fecharam no vermelho, mas sem grandes oscilações – típico pregão de stand-by.
Do lado macro, o avanço de 10,26% no ano ainda supera o CDI, mas o ciclo de juros mais longo – XP projeta Selic em 13,75% para dezembro de 2026 – deixa renda fixa novamente competitiva. Se o cessar-fogo sair do papel, o petróleo pode ceder dos atuais US$ 100, reforçando argumentos para cortes moderados tanto aqui quanto lá fora.
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Crédito da imagem: Divulgação / Valor Investe