Choque energético renova temor de inflação persistente
Donald Trump – As novas ameaças do presidente norte-americano de atacar infraestrutura iraniana reabriram a rota de aversão a risco na madrugada de domingo, derrubando os futuros do S&P 500 em 0,4% e empurrando o Brent para perto de US$ 110 o barril, movimento captado em tempo real pelas transmissões da Record e da Band.
- Em resumo: tensão no Estreito de Ormuz eleva petróleo e embaralha apostas de corte de juros pelo Fed.
Mercado revê cenário para energia e política monetária
A escalada verbal de Trump acontece justamente quando a Opep+ alerta que danos a ativos na região podem limitar a oferta por meses, segundo dados compilados pela Reuters. O barril já acumula alta de mais de 25% desde o início do conflito, reforçando pressões inflacionárias nos Estados Unidos e na Europa.
“O foco estará totalmente nas ações militares dos dois lados do Golfo Pérsico e em saber se as travessias de navios por Ormuz podem voltar a melhorar”, ressaltou Homin Lee, estrategista do Lombard Odier.
Inflação, emprego forte e renda fixa sob fogo cruzado
O petróleo acima de três dígitos coincide com uma semana crucial: na sexta-feira sai o CPI americano de março, que pode avançar 1% no mês após a gasolina subir quase US$ 1 por galão. Na sexta passada, os yields dos Treasuries de 2 anos já saltaram para 3,84%, depois que o payroll superou as expectativas com 178 mil vagas, reduzindo apostas em cortes do Fed ainda em 2026.
No curto prazo, o investidor monitora dois gatilhos: um eventual bloqueio prolongado de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global, e a coletiva agendada por Trump para esta segunda-feira às 13h em Nova York. Qualquer sinal de nova ofensiva militar pode empurrar o Brent de volta aos US$ 120 registrados no pico de março.
Impacto no bolso, na bomba e na B3
Para o consumidor brasileiro, a alta do barril tende a pressionar os preços da gasolina e do diesel já no próximo ajuste da Petrobras, enquanto na B3 o setor de aviação volta a sofrer com custos de combustível. Na ponta oposta, petroleiras listadas podem prolongar o rali que já superou 10% em duas semanas.
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Crédito da imagem: Divulgação / via REUTERS