Custos de captação sobem e empresas adiam planos de ir ao mercado
Anbima – A entidade revelou, na apresentação dos dados do primeiro trimestre, que a recente escalada dos spreads nas debêntures esfriou o ímpeto das companhias por novas emissões, adiando uma recuperação robusta do mercado primário de crédito privado.
- Em resumo: Spreads mais altos encarecem o funding corporativo e podem postergar a volta do volume pré-crise nas ofertas de debêntures.
Taxas maiores viram obstáculo imediato às novas ofertas
A pressão veio após semanas de maior aversão ao risco, o que levou investidores a exigir prêmios mais generosos. Segundo levantamento da própria associação, o custo médio das captações subiu vários pontos-base em março, patamar que, de acordo com especialistas consultados pelo Valor Econômico, só deve ceder se o fluxo para fundos de crédito privado melhorar.
“As janelas continuam abertas, mas o preço mudou”, avaliou Guilherme Maranhão, que preside o Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima.
Contexto macro: por que o dinheiro encareceu tão rápido?
A reprecificação veio em meio à expectativa de manutenção da Selic em dois dígitos por mais tempo, inflação de serviços resistente e receio global com inadimplência corporativa. Em 2023, o estoque de debêntures cresceu 17%, mas o movimento perdeu fôlego no início de 2024. Para analistas, o Banco Central ainda precisa sinalizar cortes consistentes para que as empresas voltem a aceitar os yields pedidos pelos investidores.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images