Analistas veem spreads e dívida como verdadeiros motores da ação
Braskem (BRKM5) – A assinatura, pela Novonor, do contrato que transfere o controle da petroquímica ao fundo Shine I FIP sacudiu o pregão, mas, às 15h12, os papéis avançavam apenas 2%. Bancos globais alertam que o negócio pouco altera a realidade: margens apertadas e uma dívida de US$ 7,5 bilhões continuam no radar.
- Em resumo: OPA obrigatória pode sair com preço baixo e ainda há risco de recuperação judicial.
OPA pode decepcionar minoritários
O BTG Pactual destaca que o comprador pagou com debêntures da NSP, estrutura que reduz o valor implícito por ação. A consequência direta é uma oferta pública potencialmente pouco atrativa, ponto que também apareceu na análise do Citi e do UBS BB. Segundo dados compilados pela Reuters, operações similares no setor pagaram prêmios entre 15% e 25%, bem acima do que o mercado espera agora.
“Na nossa visão, o preço implícito pago pelos fundos tende a ser muito baixo, o que implica que a oferta provavelmente não será atrativa para os acionistas minoritários”, escreveram analistas do BTG.
Endividamento bilionário mantém pressão sobre valuation
Com alavancagem de 14,74 vezes o Ebitda e patrimônio líquido negativo de R$ 16,5 bilhões, a empresa ainda precisa equacionar passivos no Brasil e no México. A subsidiária Braskem Idesa deixou de honrar juros em novembro de 2025 e fevereiro de 2026, abrindo a possibilidade de um pedido de Chapter 11 nos EUA. Para o JPMorgan, a eventual entrada em recuperação judicial pode atrasar sinergias e adiar a esperada normalização dos spreads petroquímicos globais, que seguem perto das mínimas em uma década.
Em paralelo, o petróleo Brent sustenta-se acima de US$ 80, comprimindo margens da cadeia de nafta. Sem um ciclo de alta nos preços dos derivados — como o visto entre 2021 e 2022 —, analistas lembram que a valorização de BRKM5 dependerá mais do plano de reestruturação que o IG4 promete apresentar “nas próximas semanas”.
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Crédito da imagem: Divulgação / Braskem