Pesquisa eleitoral reacende a aversão a risco e muda o humor do mercado
Dólar à vista (USDBRL) – Às 12h37, a divisa saltava 1,10%, a R$ 5,0530, depois de tocar R$ 5,0580 (+1,19%). O movimento ganhou tração logo após o levantamento AtlasIntel/Bloomberg mostrar queda de 6 pontos percentuais de Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno, somando-se ao fortalecimento global do dólar em meio à tensão EUA-Irã.
- Em resumo: câmbio acima de R$ 5,05 e taxa DI 2036 a 14,35% evidenciam corrida por proteção.
Incerteza política acelera fuga de capital estrangeiro
A deterioração da expectativa eleitoral elevou o flight to quality. No mesmo horário, o índice DXY subia 0,19%, aos 99,382 pontos, reforçando a pressão sobre moedas emergentes.
“Nas últimas semanas, o mercado passou a reagir melhor a sinais de mudança de governo por enxergar possíveis avanços fiscais”, avaliou Leonel de Oliveira Mattos, analista da StoneX.
O ruído doméstico se soma ao impasse diplomático entre Washington e Teerã sobre a guerra e o Estreito de Ormuz. Qualquer escalada que ameace o fluxo de petróleo tende a ampliar a busca mundial por dólar, mesmo com o Brent recuando 1,35%, a US$ 110,53.
Juros futuros disparam e elevam custo de financiamento
Com investidores redesenhando cenários de risco, a ponta longa da curva de Depósitos Interfinanceiros subiu 17 pontos-base: DI jan/31 a 14,30% e DI jan/36 a 14,35%. O salto encarece emissões corporativas indexadas e ameaça travar projetos de infraestrutura.
Analistas lembram que a Selic está em 13,75% ao ano e que o Banco Central sinaliza cortes graduais apenas se a inflação convergir à meta. Caso o câmbio permaneça além de R$ 5,00, parte desse alívio pode ser adiado, mantendo pressão sobre o crédito e o consumo.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central do Brasil