Tensão geopolítica renova corrida por proteção e encarece juros futuros
Depósitos Interfinanceiros (DIs) – Às 9h12 desta segunda-feira (20), as curvas de juros locais abriram em alta depois de o Irã fechar novamente o Estreito de Ormuz, rota que escoa cerca de 20% do petróleo mundial. O movimento elevou o custo de captação das empresas e sinalizou menos espaço para o Banco Central cortar a Selic no curto prazo.
- Em resumo: DI jan/28 subiu a 13,345% (+10 bps) e DI jan/35 foi a 13,48% (+5 bps).
Juros globais sobem junto com petróleo perto de US$95
O impacto não ficou restrito ao Brasil. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos avançaram para 4,26% na mesma faixa horária, refletindo a busca mundial por prêmio de risco, segundo dados compilados pela Reuters. O petróleo Brent retomou a escalada e se aproximou de US$95 o barril, adicionando combustível às expectativas de inflação.
Às 9h12, DI jan/28 a 13,345% e DI jan/35 a 13,48%; Treasury 10 anos a 4,26% – movimentos de 10, 5 e 2 pontos-base, respectivamente.
Selic mais alta por mais tempo: o que muda para empresas e famílias
No Boletim Focus divulgado nesta manhã, as projeções medianas de inflação subiram para 4,80% em 2026 e 3,99% em 2027, distanciando-se do centro da meta de 3%. Os mesmos analistas já veem a taxa básica encerrando 2024 em 13,00%, ante estimativa anterior de 12,50%, e 2027 em 11,00% – tendência que encarece linhas de crédito, pressiona o financiamento de longo prazo e pode frear projetos de expansão.
Historicamente, cada alta de 1 ponto-percentual na Selic encarece, em média, R$ 13 bilhões no serviço da dívida pública federal, limitando espaço para gastos e elevando a percepção de risco. Esse cenário se agrava quando tensões externas impactam commodities e o câmbio, como ocorreu em 2019 durante a última escalada no Golfo Pérsico.
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Crédito da imagem: Divulgação / Money Times