Estatal projeta cenário de preço baixo para blindar caixa e dividendos
Petrobras — Em declaração recente, a presidente Magda Chambriard afirmou que a petroleira trabalha com o barril a cerca de US$ 70 até dezembro, reforçando a necessidade de projetos que resistam a um ciclo prolongado de preços menores e menor geração de caixa.
- Em resumo: Petrobras prepara investimentos já considerando petróleo a US$ 70 e diz não sentir pressão da paridade internacional.
Guerra reduz demanda e amplia incertezas, diz Chambriard
A executiva atribuiu a projeção ao choque iniciado em 28 de fevereiro, cuja repercussão deve perdurar mesmo com um cessar-fogo. Segundo dados da Reuters, conflitos em regiões produtoras vêm esfriando perspectivas de consumo global e provocando um excedente temporário de oferta.
“Temos de ser capazes de lidar com preço baixo; nossos projetos precisam ser resilientes”, destacou Magda Chambriard, presidente da Petrobras.
Peso sobre combustíveis, dividendos e contas públicas
Com o recuo do Brent para a casa dos US$ 70, analistas veem espaço limitado para reajustes de gasolina e diesel no Brasil — fator que pode aliviar a inflação, mas pressionar margens da companhia. Como a União detém quase 37% das ações ordinárias e depende dos dividendos da estatal, um fluxo de caixa mais apertado tende a afetar receitas do Tesouro em 2025.
No radar dos investidores também está a política de preços inaugurada em maio de 2023, quando a Petrobras abandonou a Paridade de Importação (PPI) e passou a balizar valores conforme o teto que o mercado doméstico aceita pagar. Essa metodologia, combinada a um Brent mais barato, reduz a volatilidade nas bombas, mas exige disciplina de custos e revisão do CAPEX, lembram estrategistas.
Em paralelo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) discute novos cortes para conter a queda das cotações, enquanto o Banco Central brasileiro mantém juros em patamar elevado — cenário que pode frear investimentos intensivos em capital, como refino e exploração.
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Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS