Petróleo caro e cenário externo turvam o horizonte da política monetária
Banco Central – O último Boletim Focus, divulgado em 20/05, escancarou a piora nas expectativas: o IPCA projetado para 2026 subiu a 4,80% e a Selic esperada avançou para 13%. O movimento pressiona o custo do crédito e acende alerta sobre a desancoragem das metas de inflação.
- Em resumo: Mercado vê ciclo de cortes mais curto e juros de dois dígitos até 2029.
Inflação acima do teto reforça aposta em política monetária mais dura
A mediana das projeções do Focus indica inflação superior ao teto de 4,5% pelo terceiro relatório seguido. De acordo com dados compilados pela Reuters, as estimativas mais recentes ficaram em 4,85%, evidenciando a persistência do choque de preços, sobretudo de combustíveis.
O Focus elevou a Selic terminal de 2026 de 12,50% para 13,0%, rompendo semanas de estabilidade e sinalizando “um ciclo de afrouxamento encurtado”, apontam economistas do mercado.
Impacto no câmbio, crédito e investimentos
A combinação de petróleo valorizado e juros mais altos nos EUA já levou o dólar projetado para 2026 a R$ 5,30. Analistas lembram que cada 1 ponto percentual extra na Selic encarece o serviço da dívida pública em cerca de R$ 30 bilhões por ano, reduzindo espaço para gastos e pressionando a curva longa de títulos.
Historicamente, períodos de Selic acima de 12% tendem a frear concessões de crédito imobiliário e financiar a migração de recursos para a renda fixa — fenômeno observado durante o choque de preços de 2022. A incógnita agora é se o Copom manterá cortes graduais após o ajuste de 0,25 p.p., que já levou a taxa a 14,75%.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central