Debate sobre jornada de 40h ganha urgência em meio a alerta de baixo crescimento
Banco Central — Em relatório de política monetária divulgado recentemente, a autoridade monetária aponta que a produtividade do trabalho avançou em média apenas 0,6% ao ano desde 2019, ritmo considerado insuficiente para sustentar um crescimento robusto sem pressionar a inflação.
- Em resumo: ganho modesto de produtividade somado à proposta de jornada de 40h pode elevar custos e enxugar até 0,7% do PIB, segundo a CNI.
Produtividade estagnada pressiona custos e margens
Ao detalhar o quadro, o BC calcula que, excluindo a agropecuária, o avanço da produtividade foi limitado a 1,1% em todo o período — uma média de 0,2% ao ano. Em anos de safra recorde, como 2023, o setor rural ainda mascarou parte da fraqueza de serviços e indústria, explicou o órgão ao citar números do serviço internacional de informações financeiras.
“A eventual persistência do avanço modesto da produtividade do trabalho, combinada às restrições ao crescimento da população ocupada, poderia restringir o potencial de expansão da economia e transformar acelerações da demanda em pressões inflacionárias”, destaca o BC.
Redução da escala 6×1: impacto fiscal e inflacionário no radar
No Congresso, a Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6×1 e fixa a jornada máxima em 40 horas semanais avançou para votação na Comissão de Constituição e Justiça. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que, mantidos os salários, o encarecimento da hora trabalhada provocaria alta generalizada de preços, perda de competitividade externa e retração de 0,7% no PIB — cerca de R$ 76,9 bilhões.
Especialistas ouvidos pelo mercado lembram que o debate ocorre enquanto a taxa de desemprego está próxima das mínimas históricas e a geração de vagas desacelera. Com a Selic ainda em dois dígitos e o IPCA projetado acima da meta para 2026, qualquer choque de custos tende a ser repassado mais rapidamente aos consumidores, alimentando a inércia inflacionária.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central