Biotec nacional aposta em rins, córneas e corações suínos para aliviar fila de espera
Universidade de São Paulo (USP) – O nascimento do primeiro porco clonado da América Latina, confirmado recentemente em Piracicaba (SP), abre um flanco bilionário para o setor de saúde: a produção de órgãos compatíveis que podem reduzir o gasto público com transplantes e encurtar a fila de 65 mil pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
- Em resumo: clone saudável viabiliza série de gestações que miram suprir 94% da demanda atual de órgãos do SUS.
Clonagem remove a etapa mais cara do xenotransplante
Dominar a clonagem de suínos era considerado o “golpe de mestre” pelos pesquisadores, já que o Brasil só tinha expertise com bovinos e equinos. Agora, a mesma técnica que gerou o primeiro animal editou três genes que provocariam rejeição e inseriu outros sete humanos, versão que aproxima o porco do receptor final. Estudos clínicos em centros norte-americanos monitorados pela Reuters já estenderam a sobrevida de pacientes renais por mais de 270 dias.
“O fato de o animal estar supersaudável mostra que nossa técnica funciona. Já temos outras gestações em andamento, o que reforça que dominamos o processo”, destaca Ernesto Goulart, líder do projeto XenoBR na USP.
Impacto fiscal: SUS pode trocar hemodiálise por transplante definitivo
Segundo o Ministério da Saúde, cada paciente em hemodiálise custa em média R$ 4 mil mensais ao erário. Um transplante renal bem-sucedido reduz essa conta para menos de um terço após o primeiro ano, graças à queda brusca na necessidade de sessões e hospitalizações. Ao oferecer rins suínos “prontos para uso”, o XenoBR mira não apenas salvar vidas, mas liberar recursos para outras frentes do orçamento público de R$ 231 bilhões, aprovado para 2026.
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Crédito da imagem: Divulgação / USP