Perdas do campo ao prato elevam preços e emitem mais metano
IBGE – Com quase 7 milhões de brasileiros em fome severa, o país segue jogando fora parte significativa da produção agrícola, um contrassenso que encarece a cesta básica e pressiona a inflação alimentícia, segundo dados divulgados recentemente.
- Em resumo: o mundo desperdiça 1 bilhão t de comida por ano; no Brasil, a conta chega ao bolso do consumidor.
Do plantio à logística: onde o dinheiro escorre
Falta de mercado para itens perecíveis, padrões estéticos rígidos e transporte sem refrigeração formam o tripé de perdas que afeta do hortifrúti à soja. De acordo com relatório citado pela Reuters, esse desperdício global representa US$ 1 trilhão anuais — montante superior ao PIB de países como a Holanda.
“O produtor que colhe hoje precisa ter o comprador já acertado; se não, perde a safra em 48 horas”, alerta Gustavo Porpino, pesquisador da Embrapa Alimentos e Territórios.
Efeito cascata na inflação e no bolso do brasileiro
Quando supermercados embutem até 5% de “quebra” no preço final, o consumidor paga duas vezes: pela mercadoria que leva para casa e pela que apodrece na prateleira. Em 2023, os alimentos in natura lideraram a alta do IPCA, contribuindo com 1,2 ponto percentual para o índice geral, reflexo direto dessas ineficiências.
O desperdício também agrava metas climáticas. Ao se decompor, restos geram metano — gás 28 vezes mais potente que o CO₂ — colocando pressão adicional sobre o agronegócio brasileiro, já visado por parceiros comerciais europeus em acordos de baixo carbono.
O que você acha? Reduzir perdas deveria ser prioridade de política pública ou de inovação privada? Para acompanhar análises sobre agro e preços, visite nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Divulgação / G1