Sem aval das grandes, pacote anti-choque de preços perde força
Governo Federal — A proposta de bancar até R$ 1,52 por litro de diesel para segurar o repasse da guerra no Oriente Médio aos postos esbarrou na negativa das maiores distribuidoras, acendendo alerta de inflação e risco de desabastecimento em regiões dependentes de importação.
- Em resumo: Vibra, Ipiranga e Raízen recusam subsídio devido ao teto de até R$ 3,86 por litro.
Teto de preço versus custo real de importação
O limite definido pela Agência Nacional do Petróleo varia de R$ 3,51 a R$ 3,86 para combustível refinado no país e de R$ 5,28 a R$ 5,51 para o importado. Hoje, o valor CIF chega a superar R$ 8, segundo estimativas compiladas pela Reuters, o que inviabiliza a conta mesmo com os R$ 0,32 iniciais mais a nova fatia de R$ 1,20 dividida com estados.
“A defasagem passa de R$ 3 por litro; o subsídio não cobre o risco de trazer produto a R$ 10 e revender a R$ 8”, calcula Pedro Rodrigues, da consultoria CBIE.
Impacto fiscal, IPCA e memórias da greve de 2018
Além de comprometer a eficácia do plano, a resistência pressiona o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que já acumula alta de 4,62 % em 12 meses, e desafia o Banco Central na trajetória de cortes da Selic — atualmente em 10,75 % ao ano. O Ministério da Fazenda não descarta recalibrar o teto ou incluir o estoque das companhias para evitar o impasse, lembrando que a promessa de indenização na paralisação dos caminhoneiros nunca foi honrada.
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Crédito da imagem: REUTERS / Adriano Machado