Reservas de emergência de combustível podem ser acionadas para conter choque de oferta
União Europeia – Em coletiva nesta terça-feira, 21, o comissário de Transportes Apostolos Tzitzikostas advertiu que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz geraria “consequências catastróficas” para economia e logística do bloco, elevando imediatamente o preço dos combustíveis e tensionando cadeias globais de suprimento.
- Em resumo: Bruselas já admite liberar estoques estratégicos de querosene de aviação se a rota, responsável por 20% do petróleo mundial, permanecer fechada.
Por que Ormuz é o gargalo mais sensível do mercado de energia?
Cerca de 17,3 milhões de barris de petróleo cruzam diariamente o estreito, segundo dados da Reuters. Qualquer interrupção encarece o barril no mercado spot, impacta navios-tanque e pressiona prêmios de seguro marítimo.
“A crise no Oriente Médio está afetando todos os modais de transporte e todos os Estados-membros da UE”, reforçou Tzitzikostas, lembrando que o plano energético a ser apresentado “terá foco principal em combustíveis de transportes”.
Efeito dominó: inflação, empresas aéreas e investidores em alerta
A Europa mantém reservas obrigatórias equivalentes a 90 dias de importação de petróleo bruto, mas a liberação desses estoques exige consenso entre os 27 países. Se o choque perdurar, analistas projetam aumento de 8% a 12% no custo do querosene, pressionando margens de companhias aéreas, enquanto a inflação ao consumidor poderá ganhar 0,3 ponto percentual, segundo cálculos preliminares da Agência Internacional de Energia.
Além da energia, a rota também é crucial para polietileno e fertilizantes exportados pela região do Golfo. Em 2019, tensões semelhantes elevaram o Brent a US$ 77, um patamar que serviu de gatilho para desaceleração industrial na Alemanha. Agora, com a guerra na região ainda sem perspectiva de trégua, investidores monitoram as reuniões de emergência da OPEP + e possíveis cortes extras de produção que poderiam amplificar o desequilíbrio.
O que você acha? A Europa deveria acionar já suas reservas ou esperar novo pico do barril? Para mais análises sobre riscos geopolíticos e preços de energia, confira nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS