Mercado prevê novo choque de oferta e pressiona inflação mundial
Brent – Às 7h15 (Brasília), o barril referência internacional disparava 2,8%, a US$ 105,48, após mais um dia sem acordo entre Washington e Teerã. O salto reacende temores de repasse imediato aos combustíveis, custos logísticos e, por tabela, às projeções de inflação que norteiam as decisões de bancos centrais.
- Em resumo: escassez no Estreito de Ormuz empurra Brent a três dígitos e puxa bolsas e moedas emergentes para território de cautela.
Estreito de Ormuz concentra 20% do fluxo global de petróleo
Qualquer ruído militar nessa faixa de 39 km pode travar um quinto da oferta mundial, lembram analistas do ING. De acordo com a Reuters, navios petroleiros já pagam prêmios de seguro 30% maiores para cruzar a rota.
“Os mercados ainda buscam sinais de progresso em um possível acordo entre os EUA e o Irã; embora exista otimismo, a incerteza prevalece”, escreveram Warren Patterson e Ewa Manthey, estrategistas do ING.
Alta no barril eleva pressão sobre juros e empresas de aviação
A cotação acima de US$ 100 coincide com bancos centrais debatendo cortes de juros para o segundo semestre. Caso o Brent se mantenha nesse nível, projeções da Agência Internacional de Energia indicam impacto de até 0,3 ponto percentual na inflação dos EUA e da zona do euro neste trimestre. No Brasil, cada 10% de avanço no petróleo pode adicionar 0,05 p.p. ao IPCA, segundo cálculos do Banco Central.
Nos mercados acionários, papéis de companhias aéreas como Southwest e American Airlines oscilam conforme o custo de combustível. Já o índice Nikkei cravou recorde, sustentado por inflação japonesa em 1,4%, a menor em quatro anos, apesar do choque externo.
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Crédito da imagem: Divulgação / Associated Press