Ex-CEO vê saída bilionária para romper ciclo político
Petrobras (PETR3; PETR4) – Em entrevista recente, o ex-presidente Pedro Parente defendeu que o governo retire a companhia da B3 para eliminar pressões eleitorais sobre preços de combustíveis e, assim, preservar a rentabilidade de longo prazo.
- Em resumo: Parente diz que a única forma de blindar a estatal é fechar o capital e permitir políticas públicas sem punir minoritários.
Modelo norueguês inspira proposta radical
Parente citou a estatal Equinor, da Noruega, que opera sem ingerência partidária, como referência de governança. Ao lembrar que a Petrobras chegou a acumular US$ 125 bilhões em dívidas antes do ajuste de 2016, ele argumentou que a delistagem pouparia a empresa de recuos políticos na Política de Preços de Paridade de Importação (PPI). Segundo dados da Reuters, o modelo PPI foi decisivo para transformar a petroleira em uma das mais lucrativas do setor.
“Se o governo quer praticar preços abaixo do mercado, que feche o capital da Petrobras e assuma o custo”, resumiu o ex-CEO durante o programa Hot Market da CNN Brasil.
Por que a ideia mexe com investidores da B3
A retirada de PETR3 e PETR4 do pregão eliminaria dois dos papéis de maior peso no Ibovespa, afetando ETFs, fundos de índice e o próprio investidor pessoa física que depende dos robustos dividendos da companhia. Além disso, após a venda da Refinaria Mataripe por quase US$ 2 bilhões ao Mubadala, o mercado de refino conta hoje com capital árabe; alterar a política de preços enviaria um sinal negativo a futuros aportes estrangeiros.
No pano de fundo, o petróleo tipo Brent opera próximo de US$ 90, enquanto projeções do Banco Central indicam inflação de 3,9% para este ano. Qualquer subsídio no combustível pode pressionar as contas públicas e reduzir a capacidade de investimento da estatal, já que o governo ainda depende dos generosos repasses de dividendos para fechar seu caixa.
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Crédito da imagem: Divulgação / CNN Brasil