Ampliação histórica redistribui o cuidado e sacode estratégias de RH
Governo Federal – A lei que eleva a licença-paternidade de 5 para 20 dias, sancionada na última terça-feira (31), promete mexer no bolso das empresas e, indiretamente, no avanço das mulheres na carreira ao diluir o “risco” da parentalidade.
- Em resumo: o INSS reembolsará o salário-paternidade, mas o custo de ausências vai entrar no radar de toda folha de pagamento.
Como a matemática dos benefícios muda o jogo corporativo
Com a equiparação gradual – 10 dias em 2027, 15 em 2028 e 20 em 2029 – a vantagem competitiva que alguns homens tinham na hora da contratação tende a encolher. Países que igualaram licenças observaram queda no viés contra mulheres, segundo um relatório da Reuters sobre licenças parentais globais.
“A ampliação da licença-paternidade é um avanço muito relevante porque começa a endereçar a origem de um dos principais fatores que geram vieses no mercado de trabalho, que é a distribuição do cuidado”, afirma Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group.
Desigualdade de gênero: números que o mercado não pode ignorar
Mesmo representando 51,5 % da população e 59,6 % dos concluintes do ensino superior, elas detêm apenas 26,5 % das cadeiras de alta liderança. Já a taxa de participação masculina atinge 72,8 %, frente a 53,5 % das mulheres. Com a mudança, analistas esperam que esse gap diminua, replicando o que ocorreu em economias nórdicas após políticas parecidas.
O desenho brasileiro, entretanto, ainda distancia-se de modelos como o sueco, que oferece 480 dias por família e quotas intransferíveis para cada responsável. Especialistas alertam que, sem uma licença parental compartilhada, o cuidado pode continuar recaindo sobre as mulheres, perpetuando a perda de capital humano feminino – fator que pode subtrair até 7 % do PIB potencial nos próximos 20 anos, segundo estimativa do Fórum Econômico Mundial.
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Crédito da imagem: Divulgação / Juan Pablo Serrano – Pexels