Investigação avança em quatro Estados e expõe rombo bilionário na Previdência
INSS – A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada recentemente pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), intensifica o cerco a grupos suspeitos de reter ilegalmente R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024, pondo em risco o sustento de milhões de famílias e pressionando o orçamento da Previdência.
- Em resumo: 31 mandados de busca, oito monitoramentos eletrônicos e ordens de sequestro de bens atingem alvos em PE, SP, PB e DF.
Como funcionava o esquema e quem está na linha de fogo
Segundo os investigadores, associações e empresas de fachada registravam serviços não contratados — de seguros a “clubes de vantagens” — e promoviam descontos diretos na folha do INSS. A apuração lista crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário e lavagem de dinheiro. Em março, uma etapa anterior, batizada de Operação Indébito, já havia mobilizado agentes no Ceará e no DF, sinalizando a abrangência nacional da fraude. De acordo com reportagem do Valor Econômico, mais de 700 policiais e 80 auditores federais participam da ofensiva.
As entidades sob investigação teriam movimentado valores que chegam a R$ 6,3 bilhões em descontos não autorizados, afetando aposentadorias de 2019 a 2024.
Déficit previdenciário pode aumentar e beneficiar sofrem duplo impacto
O rombo supera, por exemplo, a economia anual obtida com algumas das últimas revisões de despesas obrigatórias. Em um cenário de envelhecimento populacional e déficit projetado de R$ 283 bilhões para o Regime Geral em 2026, cada real desviado agrava a necessidade de aportes do Tesouro. Além disso, o dinheiro irregularmente retido diminui o consumo de idosos, grupo responsável por 21% da massa salarial nacional, e reduz a arrecadação de impostos sobre o consumo, criando um efeito dominó no PIB.
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Crédito da imagem: Divulgação / Polícia Federal