Receita avança, mas o peso dos juros ameaça a sobrevivência da rede
Kora Saúde – A operadora hospitalar divulgou balanço atrasado de 2025 mostrando alta de 5,1% na receita, porém prejuízo líquido de R$ 421,3 milhões e endividamento que já equivale a 4,67 vezes o Ebitda ajustado, sinal de alerta para credores e acionistas.
- Em resumo: geração de caixa dobra, mas resultado financeiro negativo salta para R$ 646,4 milhões no ano.
Operação cresce, mas custos disparam
Os 1.780 leitos em funcionamento e a forte demanda por oncologia puxaram o faturamento a R$ 2,38 bilhões. Ainda assim, custos médicos aceleraram 11,7% no 4º tri, comprimindo a margem bruta para 17,2%, segundo dados compilados pela Bloomberg.
A diferença entre Ebitda contábil (R$ 27,5 mi) e ajustado (R$ 118,6 mi) superou R$ 91 milhões, inflada por R$ 70,8 milhões em provisões para devedores duvidosos.
Dívida cara emperra o turnaround
Com resultado financeiro negativo de R$ 184,4 milhões apenas no 4º trimestre, o serviço da dívida – CDI + 3,09% – consumiu o ganho operacional. A dívida líquida subiu para R$ 2,51 bilhões, enquanto o caixa permaneceu restrito a R$ 262,2 milhões.
No pano de fundo macroeconômico, a taxa Selic acima de 10% mantém o CDI elevado e encarece debêntures indexadas, cenário que deve persistir ao longo de 2026 se o Banco Central mantiver cautela frente à inflação de serviços. Para o setor de saúde suplementar, pressionado por reajustes de planos abaixo dos custos médicos, o ambiente de crédito restrito dificulta renegociações – vide Hapvida e Oncoclínicas.
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Crédito da imagem: Divulgação / Kora Saúde