Disparo do petróleo e inflação projetada em 5% redirecionam corrida por renda fixa
Tesouro Nacional – A possibilidade de retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã, tornada pública em 26 de maio, acelerou a busca de brasileiros por proteção no Tesouro Direto. A forte demanda derrubou o prêmio do Tesouro Selic 2031 para Selic + 0,078%, o nível mais baixo já anotado, num ambiente de petróleo acima de US$ 100 e projeções de inflação que rondam 5% para 2026.
- Em resumo: fuga para o Tesouro Selic pressiona o preço do título e encolhe o retorno adicional sobre a taxa básica.
Prêmio do Selic 2031 encolhe para 0,078% ao ano
A aversão a risco ganhou tração após o barril do Brent voltar a flertar com a casa dos US$ 100, conforme destacou a Reuters. Esse choque de oferta eleva as expectativas de inflação e reduz apostas em cortes de juros mais profundos, fenômeno que desloca investidores para papéis atrelados à Selic.
Aplicação no Tesouro Selic 2031: Selic + 0,078% (ante Selic + 0,079% na véspera). Tesouro Prefixado 2032: 14,03% ao ano. Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 7,8% ao ano.
Choque geopolítico, El Niño e o freio no ciclo de cortes
Além do risco militar, analistas monitoram um El Niño classificado como “muito forte”, capaz de comprimir a safra agrícola e encarecer alimentos. O Banco Central já sinalizou que fatores climáticos e geopolíticos podem interromper o ciclo de afrouxamento monetário iniciado em 2025, mantendo a Selic em torno de 10,50% por mais tempo.
Historicamente, movimentos bruscos de commodities pressionam os juros futuros e favorecem títulos pós-fixados. Em 2023, durante a alta do petróleo causada pela Opep+, o spread do Selic 2031 recuou de Selic + 0,120% para Selic + 0,097% em poucas semanas — dinâmica semelhante à observada agora.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images