Investidor migra para a renda fixa mesmo vendo lucros recordes na Bolsa
Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) – Levantamento de 12 meses revela que 28 dos 36 fundos de ações que superaram o Ibovespa – alguns com retorno de 55,68% – encolheram em número de cotistas, culminando em resgates líquidos de R$ 25,3 bilhões enquanto a renda fixa recebeu R$ 147,6 bilhões.
- Em resumo: juro básico a 14,50% virou “mínimo aceitável” e secou a captação dos fundos de ações mais rentáveis.
Juro real alto redefiniu a régua de rentabilidade
Com a Selic estacionada em patamar de dois dígitos por boa parte do período, títulos públicos IPCA+ passaram a entregar ganho real próximo de 7% ao ano, segundo cálculo da Valor Econômico. Esse retorno, praticamente garantido, elevou a barra de comparação para gestores de renda variável.
“Historicamente, retornos passados e juros explicam a captação dos fundos de ações. O retorno já melhorou; falta o juro cair”, resume Fernando Siqueira, Head de Research da Eleven Financial.
Além disso, tensões geopolíticas e dúvidas sobre o fiscal brasileiro reforçaram a busca por segurança. O resultado aparece na tabela do TradeMap: o Itaú Petrobras FIF, líder de performance (55,68%), perdeu 1.412 investidores; o Bradesco FIF Petrobras, 718. A sangria atingiu até carteiras indexadas, caso do Itaú Index Petrobras FIF, que encolheu em 8.308 cotistas.
Queda da Selic e fluxo estrangeiro podem virar o jogo
O ciclo de afrouxamento iniciado em março pelo Banco Central já soma dois cortes de 0,50 p.p., mas o juro real segue elevado. O Boletim Focus projeta a taxa em 13% até dezembro, possibilidade que recolocaria ações no radar de quem hoje estaciona recursos em CDBs e Tesouro Selic.
Outro vetor é o ingresso de capital externo: só em 2026, investidores estrangeiros injetaram R$ 55,1 bilhões na B3, montante que impulsiona o índice mesmo sem passar pelos fundos locais. Se esse fluxo migrar para veículos de gestão ativa, pode reaquecer a indústria e capturar parte do investidor pessoa física que saiu no auge do pessimismo de 2024.
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Crédito da imagem: TradeMap / Divulgação