Panorama de estresse de crédito põe rentabilidade dos fundos na berlinda
FGV-Cef ‑ Um estudo da instituição, baseado na base de dados da Economatica, revelou que 20 fundos de crédito privado para o varejo fecharam o 1º trimestre com desempenho que variou de cota negativa a apenas 28,4% do CDI, chocando investidores em pleno ciclo de juros altos.
- Em resumo: só 18% dos 851 fundos analisados superaram o CDI no período.
Por que 82% dos fundos ficaram para trás
A combinação de crise corporativa em grupos como Braskem e Ambipar, pedidos de recuperação judicial de Raízen e GPA e o início do conflito Estados Unidos-Irã ampliou o prêmio de risco e detonou os preços das debêntures high yield, conforme dados apurados pela Valor Econômico.
“O fundo é o high yield da casa, com maior exposição ao ajuste de spreads. Em 14 de 16 trimestres batemos o CDI, mas neste caímos”, explica Alexandre Muller, gestor da JGP Ecossistema.
Enquanto o CDI rendeu 3,24% no trimestre, os fundos de crédito privado entregaram em média 64,5% desse índice, contra 80% dos fundos de renda fixa tradicionais. A fuga de R$ 12,3 bilhões em resgates forçou gestores a vender papéis com deságio, cristalizando perdas.
Impacto no bolso e no mercado daqui para frente
Com a Selic estacionada em patamar elevado e a curva futura pressionada pela escalada do petróleo, o spread das debêntures incentivadas saltou de 6% para próximo de 7%. Historicamente, cada ponto percentual de abertura de spread pode exigir até dois trimestres para normalização, lembram analistas do Banco Central.
Para o investidor PF, a isenção de IR das debêntures incentivadas continua atrativa: para empatar com um fundo isento que rende 15% ao ano, um tributado precisaria entregar 17,6%. Ainda assim, eventos de crédito pontuais podem voltar a provocar oscilações, principalmente em veículos da categoria Duração Livre Crédito Livre.
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Crédito da imagem: Divulgação / JGP