Escalada dos juros amplia custo de captação e acende alerta fiscal
Depósito Interfinanceiro (DI) – As taxas futuras saltaram no encerramento de 15 de março, refletindo a fuga global de ativos de risco e o chamado “risco Flávio”, que adicionou tensão eleitoral ao cenário doméstico.
- Em resumo: o contrato DI jan/29 avançou 17 pontos-base, para 14,165%, maior disparada em dois meses.
Exterior puxa prêmio de risco; Treasuries batem máximas
A pressão veio de fora: rendimentos de Treasuries subiram a novos picos – o título de 10 anos encostou em 4,597%, segundo dados da Reuters. A leitura é clara: se o custo do dinheiro em dólar sobe, investidores exigem prêmio extra também no Brasil.
“Os mercados não ouviram o suficiente de Pequim para ficarem mais otimistas no Golfo, e os dados fortes dos EUA agora aumentam a confiança em uma alta de juros pelo Fed”, escreveu Francesco Pesole, estrategista do ING.
Ruído político doméstico adiciona prêmio à curva
Internamente, gravações que ligam o senador Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro provocaram percepção de maior probabilidade de reeleição de Lula. Agentes de mercado avaliam que um segundo mandato dificultaria o ajuste fiscal já pressionado por uma dívida/PIB que supera 75%.
Com a Selic em 10,50% ao ano após quatro cortes consecutivos, a B3 precifica pausa no ciclo de afrouxamento. A diferença (“steepening”) entre DI jan/25 e jan/29 voltou a abrir, sinalizando que o custo de financiamento de empresas e do Tesouro pode se manter elevado por mais tempo.
Por que isso afeta seu bolso e os investimentos
DI mais alto encarece o CDI, índice que baliza empréstimos, rotativo do cartão e remuneração de CDBs. Fundos de renda fixa de duration longa sofrem marcação a mercado negativa, enquanto papéis atrelados à inflação ganham atratividade se o IPCA voltar a acelerar com o petróleo acima de US$ 110 o barril.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central