Tensão no Golfo levanta a poeira dos preços e ameaça custo da energia
petróleo Brent — A referência global chegou a bater US$ 99,50, mas encerrou a quinta-feira (9) a US$ 95,92, avanço de 1,23%, enquanto o WTI disparou 3,66%, para US$ 97,87. A volatilidade reflete o cessar-fogo frágil entre Estados Unidos e Irã e o risco imediato de bloqueio no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da oferta mundial.
- Em resumo: Brent quase tocou US$ 100; incerteza logística sustenta prêmios de risco.
Ormuz no centro do tabuleiro: por que cada fala mexe nos gráficos?
Teerã condicionou a reabertura total do estreito ao fim dos bombardeios a aliados no Líbano, informação que chegou a reduzir a liquidez nas mesas, segundo traders consultados pela Reuters. Minutos depois, sinalizações de negociação direta entre Benjamin Netanyahu e o governo libanês aliviaram parte da pressão, mas novos ataques de Israel ao Hezbollah recolocaram o prêmio de risco no preço.
“O choque de oferta deve ser parcialmente revertido apenas no médio prazo, mantendo cotações elevadas e fortes oscilações”, avalia o ANZ Research.
Impacto no bolso: gasolina, inflação e até juros podem sentir
Além do efeito imediato sobre combustíveis, um barril próximo de US$ 100 reacende o debate sobre inflação global e perspectiva de cortes de juros pelo Federal Reserve. Em relatório atualizado, o Goldman Sachs reduziu a projeção média para o segundo trimestre a US$ 90 (Brent), mas frisou que “os riscos permanecem inclinados para cima” diante de possíveis interrupções adicionais.
A escalada ocorre num momento em que a Opep+ mantém cortes de 1,3 milhão de barris diários até junho, limitando margens para reposição rápida de estoques. No Brasil, analistas veem chance de a Petrobras rever a política de preços se o movimento persistir, potencialmente encarecendo diesel e frete e pressionando o IPCA já em maio.
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Crédito da imagem: Divulgação / MoneyTimes