Tributo sobre encomendas baratas recai, sobretudo, sobre o orçamento popular
Governo Federal — A recente alta de impostos sobre remessas internacionais de até US$ 50, apelidada de “taxa das blusinhas”, já provoca recuo de consumo e pressiona famílias de menor renda, revelam levantamentos divulgados nesta semana.
- Em resumo: após a cobrança extra, até 42% dos brasileiros abandonaram sites estrangeiros.
Classe C é a mais penalizada, indicam pesquisas
Estudo Nexus/CNI mostra que 88% dos 204 milhões de compradores virtuais pertencem às classes C, D e E. O tíquete médio é de apenas US$ 17,6 (cerca de R$ 100). Ainda assim, 70% da nova carga tributária recai sobre esse público, segundo a LCA Consultores. Para muitos, não há alternativa nacional: 56% relatam inexistência de produto equivalente no comércio local, conforme dados citados pela Bloomberg.
“Entre 40% e 42% dos consumidores deixaram de importar produtos de pequeno valor logo após a medida”, aponta o levantamento da Plano CDE.
Por que o impacto vai além do e-commerce?
A escalada da tributação coincide com juros ainda elevados — a Selic está em 10,50% ao ano — e inflação perto de 4% em 12 meses, encarecendo o crédito e comprimindo renda disponível. Ao restringir acesso a itens baratos, o governo pode reduzir a competição de preços no varejo físico justamente quando o IPCA dá sinais de resistência. Analistas lembram que, num cenário de dólar em torno de R$ 5,00, cada ponto percentual de imposto extra amplia o custo final ao consumidor em cadeia.
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Crédito da imagem: Divulgação / Proteste Euroconsumers Brasil