Estudo revela feridas econômicas que se estendem por mais de uma década
Fundo Monetário Internacional (FMI) – Em análise preliminar divulgada nesta quarta-feira (8), o órgão calcula que países em conflito perdem, em média, 7% do produto interno bruto nos cinco primeiros anos de guerra, impacto superior ao de crises financeiras globais ou desastres naturais severos.
- Em resumo: Conflitos armados corroem atividade, depreciam a moeda e elevam a inflação por mais de dez anos.
Queda de 7% no PIB é só o começo
O levantamento, que antecede o próximo World Economic Outlook, analisou dados de guerra desde 1946 e gastos militares de 164 países. Segundo a pesquisa, mais de 35 nações enfrentaram combates em 2024, afetando 45% da população mundial. O FMI projeta que esse choque prolongado gera desequilíbrios externos, exige mais reservas cambiais e compromete políticas fiscais, de acordo com detalhes obtidos pela Reuters.
“Perdas de produção decorrentes de conflitos persistem mesmo depois de uma década e normalmente excedem aquelas associadas a crises financeiras ou desastres naturais”, destaca o capítulo do FMI.
Pressão extra sobre inflação e câmbio
O Fundo alerta que choques bélicos tendem a depreciar a moeda local e acelerar a inflação, justamente quando bancos centrais já lidam com juros elevados pós-pandemia. Para investidores, o quadro lembra 1973 e 1991, anos em que choques de petróleo ligados a conflitos regionais elevaram custos logísticos globais e empurraram preços para cima. O Banco Mundial reforçou a preocupação: mesmo um cessar-fogo rápido traria “algum grau” de crescimento mais lento, segundo o presidente Ajay Banga.
Além disso, países vizinhos ou grandes parceiros comerciais de zonas de guerra costumam sentir reflexos em balança comercial e risco-país. Em 2022, por exemplo, a invasão da Ucrânia impulsionou o trigo a máximas históricas e obrigou governos latino-americanos a subsidiar alimentos, corroendo espaço fiscal.
O que você acha? As economias emergentes estão preparadas para outro choque de guerra? Para mais análises sobre riscos geopolíticos, acesse nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS