Tensão geopolítica pressiona rotas de energia e pode mexer no seu bolso
Irã – Ao anunciar o bloqueio total do Estreito de Ormuz em 8 de abril, Teerã ordenou o retorno imediato de petroleiros aos portos locais, reacendendo o temor de gargalos no suprimento global de petróleo mesmo com a commodity em queda recente.
- Em resumo: Canal que escoa cerca de 20% do petróleo mundial está fechado e navios sem permissão serão “alvos de ataques”.
Cessar-fogo não tirou o bloqueio do papel
Embora Estados Unidos e Irã tenham firmado um cessar-fogo de duas semanas para reabrir temporariamente a via, o fluxo não aumentou nas horas seguintes, segundo dados compilados pela Reuters. A guarda costeira iraniana reiterou que qualquer embarcação que tente passar sem coordenação “será atacada”.
“O Estreito permanece fechado; nenhum petroleiro recebeu autorização formal para atravessar”, informou a emissora estatal Press TV.
Por que Ormuz importa para mercados e investidores
Responsável por ligar o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, o Estreito de Ormuz canaliza cerca de 17 milhões de barris por dia, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Qualquer interrupção prolongada pode encarecer custos de frete, pressionar inflação e mexer nas ações de companhias aéreas e químicas que dependem de derivativos de petróleo.
No passado recente, cada 1 dólar de alta no barril adicionou cerca de 0,04 ponto percentual à inflação norte-americana, apontam séries históricas do Federal Reserve. Para o Brasil, o impacto costuma vir via câmbio: aumento no Brent costuma fortalecer o dólar ante o real, o que encarece combustíveis e derruba margens de transporte.
O que você acha? Fechar completamente a principal artéria do petróleo pode repercutir nas bombas dos postos nas próximas semanas? Para mais análises sobre crises geopolíticas e preços de energia, acesse nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters