Sem gás frio, os gigantes gravitacionais entram em dieta forçada
NASA – Um censo celeste recém-publicado compilou dados de 1,3 milhão de galáxias e 8 000 buracos negros supermassivos para concluir que esses colossos agora engolem matéria a um ritmo 22 vezes menor do que no “meio-dia cósmico”, há 10 bilhões de anos.
- Em resumo: a falta de gás frio nos núcleos galácticos está colocando até os buracos negros mais vorazes em regime.
Como o universo fechou a torneira de combustível?
A pesquisa, liderada por Fan Zou (Universidade de Michigan) e Neil Brandt (Penn State), cruzou observações dos telescópios Chandra, XMM-Newton e eROSITA. A análise confirmou que o estoque de gás frio diminuiu porque ele foi consumido por formação estelar e expulso por ventos galácticos produzidos em períodos de alta atividade. Segundo reportagem da Forbes, até um buraco negro de 36 bilhões de massas solares detectado em 2025 se encontra inerte por falta de “combustível”.
“Cada buraco negro individual está ingerindo muito menos matéria; não é porque ficaram menores, mas porque o gás frio simplesmente sumiu”, resume o artigo do The Astrophysical Journal.
O que essa fome zero diz sobre o futuro da Via Láctea
Para Sagitário A*, o buraco negro central da Via Láctea com 4 milhões de massas solares, o cenário é de hibernação prolongada. Sem colisões galácticas à vista, astrônomos projetam que ele permanecerá inativo por trilhões de anos. O quadro reforça a tendência de “apagão” dos quasares, motores que já iluminaram o universo jovem.
O esfriamento progressivo também afeta a taxa de formação de estrelas: menos gás no núcleo significa menor produção de novos sóis, contexto que ajuda a explicar a desaceleração da expansão estelar observada em diversas galáxias. Em outras palavras, o universo amadurece e seus gigantes gravitacionais passam a sobreviver de raros “petiscos” – estrelas desgarradas ou pequenas nuvens de plasma que se aventuram perto demais.
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Crédito da imagem: Divulgação / NASA