Estoque curto e logística frágil deixam cadeia de suprimentos por um fio
ANDC – Em entrevista concedida recentemente, o diretor executivo Francisco Neves advertiu que qualquer corte relevante no suprimento de diesel atingiria o bolso do consumidor em apenas quatro a cinco dias, um prazo curtíssimo para um país que transporta 65% de suas mercadorias por rodovias.
- Em resumo: falta de diesel por poucos dias já encarece fretes, pressiona alimentos e pode alterar o IPCA.
Crise poderia ser sentida em menos de uma semana
O alerta de Neves ecoa a dependência do Brasil: cerca de 30% do combustível é importado e o país mantém estoques comerciais limitados. Dados de preços levantados pela Reuters mostram que o diesel saltou quase 15% em 12 meses, tendência que se agravaria se o fluxo externo travar por questões geopolíticas ou cambiais.
“Há correlação direta entre risco de desabastecimento e aumento de preço”, sublinhou Francisco Neves, da ANDC.
Impacto em cadeia: frete, safra e inflação
A experiência da greve dos caminhoneiros de 2018 ilustra o efeito dominó: prateleiras vazias em grandes centros, retração de 1,2 ponto no PIB do trimestre e pico de inflação de alimentos. Agora, mesmo sem paralisação, uma ruptura logística similar poderia comprimir margens no agronegócio no meio da colheita de soja e milho, além de elevar custos industriais já pressionados pela taxa Selic de 13,75% ao ano.
Economistas lembram que cada 10% de alta no diesel pode adicionar até 0,25 ponto percentual ao IPCA, complicando a estratégia do Banco Central de reduzir juros em 2026. Com a balança energética exposta ao câmbio, empresas de transporte e cooperativas agrícolas monitoram o dólar próximo de R$ 5,00 para decidir novas compras do derivado.
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Crédito da imagem: Divulgação / BM&C News