Alta do cacau e custos de bebidas transformam o torcedor em “refém” dos preços
Rico – Um levantamento divulgado recentemente indica que a chamada “cesta da Copa” encareceu 32,5% entre o fim de 2022 e 2025, superando com folga o IPCA de 21% e pesando no orçamento de quem pretende reunir amigos para assistir aos jogos.
- Em resumo: chocolate subiu 66,6%, enquanto cerveja avançou 27,5%, corroendo o lazer do brasileiro.
Chocolate vira vilão: cacau bate recorde mundial
O salto de 66,6% no preço do chocolate acompanha o rali do cacau, que chegou perto de US$ 10 mil por tonelada em 2024—quase quatro vezes a cotação de 2022, segundo dados compilados pela Reuters. Quebras de safra na Costa do Marfim e em Gana, associadas ao El Niño, comprimiram a oferta global da commodity.
“O chocolate disparou mais de três vezes a inflação oficial, refletindo a escassez histórica de cacau”, detalha Maria Giulia Figueiredo, analista da Rico.
Bebidas e endividamento: dupla pressão sobre o lazer
Bebidas alcoólicas (36,1%) e refrigerantes (35,5%) também subiram bem acima do IPCA, pressionadas por açúcar mais caro e embalagens afetadas pela desvalorização do real. O cenário encontra as famílias em recorde de endividamento: 29,3% da renda comprometida em janeiro de 2026, enquanto a taxa Selic caiu de 13,75% para 10,50% ao ano, reduzindo apenas parcialmente o custo do crédito e mantendo o consumo em xeque.
Com o poder de compra comprimido, analistas apontam tendência de troca por marcas próprias, embalagens menores e até migração para energéticos e bebidas sem álcool — um movimento já observado entre os consumidores da geração Z.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images