Câmbio mais caro e adubo em alta ameaçam lucro de produtores
BB Investimentos — Em relatório setorial divulgado recentemente, a casa de análise do Banco do Brasil acendeu o sinal de alerta: mesmo com produção recorde, as margens de grãos e proteínas estão sob forte pressão, impactando o caixa de produtores e listadas do agro.
- Em resumo: alta de custos e real valorizado encolhem ganhos, mas o BB aponta 7 papéis com upside de até 84%.
Soja e milho: supersafras não bastam contra o câmbio
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta novo recorde global de soja para 2026/27, mas o real mais forte, prêmios menores e fertilizantes caros corroem o preço recebido em reais. Já no milho, a produção global desacelera após vários picos, o que reduz estoques e sustenta cotações, porém não compensa o avanço dos custos, destaca o banco em nota que cita dados do mercado internacional de commodities.
“A relação de troca deteriorou-se: fertilizantes subiram dois dígitos, enquanto a saca de soja cedeu em reais”, escrevem os analistas do BB.
Proteínas animais: China compra, mas custos sobem mais rápido
Na bovinocultura, a demanda chinesa mantém as exportações aquecidas, porém o boi gordo encareceu acima do preço da carne no atacado. No frango, as vendas externas reagiram após o choque da influenza aviária, mas o mercado interno ainda pressiona preços. Suínos seguem embarcando volumes recordes para Filipinas e México, só que a margem também foi mordida pelo milho caro e recuo nas cotações domésticas.
Sete apostas do BB para driblar a maré de custos
Mesmo num cenário desafiador, o BB vê “vantagens competitivas estruturais do Brasil, como custo relativo e logística resiliente”. Por isso, recomenda compra para 3tentos (TTEN3) e JBS (JBSS32), com potenciais de 23,1% e 53,9%, respectivamente. Também coloca no radar, em posição neutra, Minerva, Marfrig, Ambev, SLC Agrícola e Boa Safra, todas com upside relevante — a maior delas, 83,9%, em Minerva.
O levantamento chega num momento em que o Banco Central discute juros de longo prazo e o câmbio reage a impasses fiscais, fatores capazes de alterar, para melhor ou pior, o poder de compra do produtor brasileiro.
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Crédito da imagem: Divulgação / BB Investimentos