Menos oferta à vista: por que o salto de preço pode ser só o começo
USDA – A primeira estimativa para a temporada 2026/27 reduziu em 24,8 milhões de toneladas a oferta mundial de trigo, empurrando o contrato de julho na CBOT para alta de 6,78% às 14h52, a maior valorização em um ano.
- Em resumo: corte de produção nos EUA, UE, Argentina e Austrália pressiona cotações e acende alerta para estoques globais.
Oferta encolhe nos principais exportadores
Somados, Estados Unidos, União Europeia, Argentina e Austrália devem entregar quase 20 milhões de toneladas a menos, segundo o USDA. Para os EUA, o órgão projeta produtividade de 47,5 bushels por acre, 5,8 abaixo do recorde do ciclo anterior.
Produção global 2026/27: 819,1 mi t Produção global 2025/26: 843,8 mi t Variação: -24,8 mi t (-3%)
No Brasil, a colheita estimada recua para 6,7 milhões de toneladas, enquanto a necessidade de importação sobe para 7,2 milhões, reforçando a dependência externa em ano de dólar volátil. Já Rússia e Ucrânia, apesar do conflito prolongado, devem manter exportações quase estáveis, ajudadas por clima favorável no Mar Negro.
Impacto nos preços e no bolso do consumidor
Com estoques finais mundiais previstos em 275 milhões de toneladas – o menor patamar em quatro anos – analistas veem espaço para volatilidade prolongada. A última vez que a oferta caiu nesse ritmo, em 2022, o índice de preços de alimentos da FAO avançou 13% em apenas três meses, pressionando a inflação global.
No Brasil, a farinha de trigo responde por quase 3% do IPCA de alimentação no domicílio; cada ganho de 5% em Chicago costuma adicionar 0,02 ponto percentual ao índice, segundo cálculos da FGV.
O que você acha? O corte agressivo na safra 26/27 levará a novos repasses para pão e massas ou o mercado ainda aposta em alívio climático? Para mais análises sobre commodities, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / USDA