Geopolítica pressiona commodities enquanto payroll recorde paira no radar
Petróleo Brent – Na volta do feriado, a cotação do barril para junho saltou acima de US$ 110 depois de Donald Trump dar prazo até terça-feira (7) para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz, por onde escoa 20 % do petróleo mundial. A ameaça movimenta as mesas de operação nesta segunda-feira (6) e já impacta moedas, ações e criptos.
- Em resumo: petróleo dispara, futuros de NY recuam e o payroll forte dos EUA segue como segundo gatilho.
Tensão no Estreito de Ormuz reacende temor de oferta
A mudança de tom da Casa Branca transformou o que era um impasse diplomático em risco direto de interrupção de oferta global. Contratos do Brent negociados na Ásia abriram em alta, enquanto índices futuros de Wall Street recuavam ligeiramente, segundo a agência Reuters. Já o Nikkei iniciou o pregão em terreno positivo, mostrando que a leitura do risco ainda é assimétrica entre as regiões.
“Se eles não fizerem algo até terça-feira à noite, não terão nenhuma usina de energia e nenhuma ponte de pé”, disse Donald Trump ao The Wall Street Journal.
No último choque parecido, em 2019, o barril ganhou quase 15 % em dois dias. Analistas lembram que, a cada US$ 10 de avanço no Brent, a inflação global pode subir até 0,3 ponto percentual, exigindo respostas de bancos centrais já pressionados pelos juros.
Payroll forte complica xadrez de juros do Fed
Em condições normais, os dados de emprego divulgados na sexta-feira (3) – feriado nos principais mercados – dominariam o noticiário. As contratações vieram “muito acima das expectativas”, reforçando a tese de que o Federal Reserve ainda tem espaço para elevar a taxa básica. A combinação de petróleo caro e mercado de trabalho aquecido renova apostas de política monetária mais dura, o que geralmente fortalece o dólar frente a emergentes.
Para investidores brasileiros, o cenário cria um dilema: commodities têm impulso de curto prazo, mas ativos de risco sofrem com possível fuga de capital. Bitcoin, por ora, sobe mais de 2 % e tenta se firmar como porto alternativo, embora a volatilidade siga alta.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters