Projeção reforça disputa eleitoral e tensão no petróleo como peças-chave do câmbio
BGC Liquidez – A corretora divulgou recentemente que o dólar pode deslizar para R$ 4,78 em um cenário considerado “benigno”, movimentando expectativas de investidores e impactando diretamente o custo de importações e viagens internacionais.
- Em resumo: Na visão otimista, o câmbio ficaria 9% abaixo do valor médio previsto para o fim de 2026.
Eleição e guerra definem o “céu ou inferno” do real
No relatório, a BGC amarra a projeção otimista à vitória da oposição nas próximas eleições e ao fim das tensões entre Estados Unidos e Irã. Já no pior quadro — reeleição do governo, rombo fiscal e prolongamento da guerra — o dólar poderia escalar para R$ 5,19. Segundo análise da Reuters, a fuga de capital em cenários de risco político costuma elevar o prêmio de crédito do Brasil, pressionando ainda mais o câmbio.
“O intervalo para a semana atual vai de R$ 4,90 a R$ 5,05, mas qualquer novo pico do petróleo pode inverter o viés de queda”, alerta Felipe Tavares, economista-chefe da BGC.
Petróleo caro embaralha correlação histórica com o real
Tradicionalmente, a alta das commodities energéticas beneficiava a moeda brasileira por aumentar o ingresso de dólares da balança comercial. Porém, desde o início do conflito no Oriente Médio, a relação inverteu: a disparada do barril eleva custos de transporte e pressiona a inflação global, o que fortalece a moeda norte-americana. Nesta segunda-feira, a cotação do Brent renovou máximas com o impasse no Estreito de Ormuz, suscitado pela guerra, e adicionou volatilidade adicional às mesas de câmbio.
Historicamente, cada US$ 10 de variação no petróleo tem potencial de alterar em até 0,10 ponto percentual a inflação brasileira, segundo cálculos do Banco Central. Caso esse choque persista, cresce a probabilidade de o Comitê de Política Monetária adotar postura mais cautelosa nos cortes da Selic, um fator que costuma sustentar o dólar acima da média projetada.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central