Tensão geopolítica reacende debate sobre repatriação de barras históricas
Federal Reserve dos EUA – A cerca de 25 m abaixo da Liberty Street, em Nova York, repousam 6,3 mil t de ouro estrangeiro avaliadas em US$ 1 trilhão (R$ 5 tri). Agora, políticos europeus questionam se é seguro manter ali um ativo que vale 4% do PIB americano.
- Em resumo: Alemanha, Itália e Suíça avaliam resgatar parte das reservas por temer mudanças na relação com Washington.
Por que 1,2 mil t alemãs podem deixar Manhattan
Com cerca de 1,2 mil t estocadas no cofre, o Bundesbank virou alvo de pressões internas. Economistas alegam que um eventual atrito comercial ou militar poderia dificultar o acesso às barras. Segundo o World Gold Council, bancos centrais compraram ouro em ritmo recorde em 2023, sinalizando corrida global por segurança.
“Dada a atual situação geopolítica, parece arriscado manter tanto ouro nos Estados Unidos”, alertou Emanuel Mönch, ex-pesquisador-chefe do Bundesbank.
Custo, logística e precedentes históricos
A França já repatriou suas barras na década de 1960, escapando das perdas causadas pelo fim da conversibilidade dólar-ouro em 1971. Já Holanda e Alemanha reduziram seus volumes em Nova York entre 2014 e 2017, auge da crise do euro. Especialistas lembram que mover ouro é caro: cada voo de carga precisa de seguro robusto e escolta militar.
Hoje, a diversificação de reservas ficou mais relevante. Dados do FMI mostram que o ouro responde por cerca de 20% dos cofres europeus, contra menos de 3% no Banco Central do Brasil — que, aliás, ampliou discretamente suas compras desde 2021, alinhado à tendência global de proteção contra a inflação e contra a volatilidade das moedas fiduciárias.
O que você acha? Repatriar as barras fortalece ou fragiliza a credibilidade europeia? Para mais análises sobre o impacto dessa decisão no câmbio e nos mercados globais, acesse nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Divulgação / New York Fed