Quase metade das compras externas ficará barrada pela nova cota anual
União Europeia – O bloco anunciou nesta segunda-feira (13) que a alíquota sobre volumes de aço acima da cota oficial subirá de 25% para 50%, enquanto o limite de importação isenta encolhe 47%, para 18,3 milhões de toneladas por ano, em um movimento para salvar empregos e reativar siderúrgicas locais.
- Em resumo: tarifa dobra e o teto de entrada sem sobretaxa cai quase pela metade.
Tarifa de choque mira sobreoferta externa e ociosidade interna
Segundo a proposta acertada entre Parlamento Europeu e Conselho, a taxa de 50% valerá até 30 de junho de 2027, com revisões anuais. A meta é elevar a utilização das usinas europeias de 65% para 80% – patamar considerado saudável pela indústria metalúrgica. De acordo com a Reuters, Turquia, Coreia do Sul, Indonésia, China, Índia, Ucrânia e Taiwan concentram a maior fatia das remessas afetadas.
Representantes do bloco concordaram em limitar as importações isentas a 18,3 milhões de toneladas por ano — 47% abaixo de 2024.
Efeito cascata: preços, inflação industrial e transição verde
Analistas ouvidos por casas de investimento lembram que o aperto acontece num momento de desaceleração econômica na zona do euro e de aumento no custo de energia, fator crítico para a siderurgia de baixo carbono. O corte na oferta externa tende a reforçar o poder de precificação dos produtores locais justamente quando projetos de descarbonização exigem margens mais altas para financiar fornos elétricos e hidrogênio verde.
A decisão também ecoa a postura protecionista norte-americana inaugurada em 2018, quando Washington impôs 25% de tarifa global sobre o aço. Desde então, a produção da UE perdeu cerca de 100 mil postos de trabalho e viu a participação do aço importado saltar, pressionando as cotações internas. A exclusão gradual do aço russo, prevista até setembro de 2028, adiciona mais incerteza às cadeias que utilizam placas e bobinas provenientes daquele país.
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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters