Mercado questiona até onde o BC pode ir sem perder credibilidade
Banco Central – Apesar da pressão inflacionária captada pelo Focus, a autoridade monetária brasileira continua sinalizando cortes graduais na Selic, uma postura que surpreende parte dos investidores e pode redefinir precificações de renda fixa nas próximas semanas.
- Em resumo: Empiricus vê espaço para novo corte de 25 pontos percentuais mesmo com IPCA projetado em 4,71% para 2026.
Foco no IPCA: por que 4,71% não muda a estratégia
O último Boletim Focus, citado pela Reuters, mostrou que economistas passaram a prever inflação acima da meta pelo terceiro ano seguido. Ainda assim, analistas da Empiricus Research entendem que a trajetória das expectativas segue “sob controle” no horizonte relevante do Copom.
“A comunicação do BC continua firme: entregar o ciclo de afrouxamento prometido, mesmo diante do choque de petróleo”, ressalta Laís Costa, analista da casa de research.
Choque externo e eleição apertada compõem o quadro de risco
O impasse entre Estados Unidos e Irã elevou o petróleo e, por tabela, as projeções de inflação. Historicamente, cada 10% de alta no barril adiciona cerca de 0,15 p.p. ao IPCA em 12 meses. Soma-se a isso um cenário eleitoral polarizado, onde a pesquisa Datafolha indica empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, aumentando a volatilidade dos ativos domésticos.
Pelos cálculos de economistas ouvidos pelo mercado, a Selic terminal pode ficar próxima de 9,75% se o BC mantiver cortes de 25 p.p. por reunião. Para o Tesouro Direto e para quem carrega NTN-B, o risco é ver prêmios comprimirem caso o ciclo se confirme — mas um revés geopolítico brusco obrigaria o Copom a frear.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central